domingo, 14 de fevereiro de 2016

Gastos de Viagem - Ushuaia 2016

Mais uma vez juntei algumas informações que podem ajudar quem pensa em conhecer o Ushuaia e a região da Patagônia. Segue abaixo:

COMBUSTÍVEL


  • 11.731 Km rodados
  • 56 abastecimentos
  • 694 litros consumidos
  • R$2.322,22 gastos (ou U$558,00)
  • Média Geral: 16,89 Km/L
  • Pior Média: 14,29 Km/L 
  • Melhor Média: 20,97 Km/L

Na Argentina, a gasolina custa em média 13 a 15 pesos na região da provincia de Buenos Aires, mas ao sul, na Patagônia, este valor cai para em média 10,33 pesos por litro. Se fizer um bom câmbio paralelo e comprar pesos argentinos por em média R$0,25, na Patagonia a gasolina custa pouco mais de R$2,50. No Chile só abastecemos em duas cidades e o preço é o equivalente a R$4,20. Recomendo levar um galão de emergência ou comprar pelo caminho, principalmente se sua moto tiver tanques entre 16 e 19 litros. É comum haver falta de gasolina em alguns lugares e o galão pode te salvar de um grande problema.


GASTOS COM HOTEL


De maneira geral, ficamos só em bons hotéis, fiquei com uma avaliação bastante positiva dos hotéis que ficamos. Inclusive por não terem aquele café da manhã típico argentino, apenas com media Luna e café. Abaixo um resumo com os hotéis, preços e comentários gerais.



GASTOS COM ALIMENTAÇÃO

Não anotei quanto gastamos em alimentação. Mas de maneira geral comemos bem e com  preços dentro do que já havíamos pago anteriormente. Na Argentina come-se bem e com preços justos. Já no Chile é mais caro. Uma Coca Cola por exemplo no Chile, custava o equivalente a R$10,00. Mas comemos muitos bifes de chorizo, empanadas e pastas deliciosas. Sem contar na Centolla em Ushuaia (essa bem cara). Enfim, aproveitamos muito.

GASTOS GERAIS

Em 21 dias, para duas pessoas, gastamos algo em torno de R$13.000,00 não contando as manutenções que eu fiz na moto. Vale lembrar que fiz praticamente todo o cambio aqui no Brasil a um preço bastante bom. Isso aliviou muito os custos. Trocar reais aqui no Brasil por dólares e lá trocar por pesos não vale a pena. Recomendo que faça o cambio antes e de preferencia no mercado paralelo onde a cotação é bem melhor.



quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Dia 21 - Passo Fundo x Blumenau - 500 Kms

Acordamos com uma preguiça danada nem sequer coloquei o relógio para despertar. A hora que acordássemos estava bom e se não desse pra chegar em Blumenau não teria problema. Acho que relaxamos por estarmos no Brasil e relativamente perto de casa e o cansaço bateu. Acordamos já passava das 08:00 e descemos para tomar café e as coisas já estavam prontas pois estava usando apenas o saco de viagem, estava tudo acomodado para não precisar tirar os baús da moto.
O café da manhã do hotel era digno ao preço que pagamos pela diária (R$250,00) então aproveitamos para sair com as baterias bem carregadas. Na noite anterior a Sara estava reclamando de dores no nervo ciático então não queria abusar na viagem do dia para chegarmos em casa o mais inteiros possível.
Saímos do hotel já era umas 09 da manhã, a temperatura estava amena mas o dia já dava sinais que seria bem quente. Não abasteci a moto e resolvi que parariamos mais adiante. Rodamos uns 120 kms e paramos para abastecer. Nesta parada a Sara conheceu um casal que veio nos contar que foram certa vez de Passo Fundo até Luiz Eduardo Magalhães, na Bahia com sua Sahara. Nos contaram a viagem toda foi bem legal.
A estrada continuava bem movimentada, porém, sem tantas ondulações como havia sido até Passo Fundo. Mas tínhamos que ir devagar. A Sara continuava com dores então as paradas eram em intervalos menores das que estávamos fazendo nos últimos dias. Em Vacaria paramos para abastecer e colar um adesivo num posto que quase já não tem mais espaço nos vidros.
Logo já estávamos entrando em Santa Catarina a nossa última fronteira da viagem. Muitas obras neste trecho onde ficamos parados uns 15 minutos numa barreira onde a pista estava apenas com uma das faixas liberadas. Passamos por Lages e seguimos pela BR-282 até pegar a SC que cruza por Otacílio Costa. Ali, liguei o piloto automático nos 80 Km/H e assim fomos os 50 kms que ligam a 282 até a BR-470.
Na BR-470 o de sempre: Muito movimento e trechos ruins de asfalto. Paramos em Pouso Redondo para um lanche e avisar a família que estávamos próximos porém, faltando o pior trecho da viagem. E foi o pior mesmo, levamos 2 fechadas que tivemos que ir pro acostamento. Era hora de ter calma e ir devagar para chegar em casa bem, da mesma forma que saímos.
De Indaial até Blumenau um grande movimento e filas extensas, fomos vencendo a fila e logo estávamos em Blumenau com forte calor. Fomos direto na casa da mãe da Sara, para dar um abraço nela. Lá, as lágrimas rolaram, primeiro minhas e da Sara, felizes por estarmos em casa e depois da mãe dela que como qualquer outra mãe, ficou aflita pela nossa chegada.
Fomos para nossa casa, que alegria, estávamos no nosso lar depois da nossa missão cumprida. Felizes que tudo tinha dado certo. Para nossa surpresa, em cima da mesa, um grande buquê de flores deixado carinhosamente pela minha mãe. Depois de um banho fomos dar um abraço nela e claro, mais lágrimas.
Agradeço imensamente à Sara, que foi uma parceira inseparável e de energia inesgotável. Suportou dor, frio, calor, neve e nunca esmoreceu. Foi uma grande amiga e parceira como sempre. Ao Edu, pela paciência, compreensão e prestatividade sempre. Ao Luciano e a Milene que nos acompanharam até Bariloche, uma pena não terem ido até o destino final da nossa viagem, espero numa próxima contar com vocês em toda a viagem!!
E agradeço a todos os amigos e familiares que torceram e acompanharam a nossa viagem. Tudo que vivemos serviu para alguma coisa, posso garantir que de uma forma ou de outra voltamos diferentes. Aprendemos a lidar com adversidades, opiniões e desafios que foram impostos. Nós estamos de parabéns por tudo que realizamos. Ir ao Ushuaia de moto é difícil, mas não é impossível e é um lugar que me orgulho muito em ter no meu currículo de motociclista.

Dia 20 - Concórdia x Passo Fundo - 820 Kms

O frio acabara e agora o calor se fazia presente, amanheceu um dia bastante ensolarado e claro, muito quente. O café da manhã do hotel era muito bom e não tinha apenas "Medialuna". Tinha variedade de pães, cereais, frutas, sucos e iogurtes um verdadeiro banquete para os padrões argentinos.
Já cedo estávamos prontos para sair, as motos prontas e lá também deixei aquela bateria que deu problema. Comprei na Argentina e deixei na Argentina. Bola pra frente, vamos para casa é isso que importa.
Pegamos a Ruta 14 com pista duplicada e limite de 130 Km/H, mas antes paramos no primeiro posto YPF para colocar gasolina nas motos e seguir viagem. Tinha um pouco de fila mas foi rápido. Também aproveitamos para abastecer as bolsas de hidratação, eu sinto muita sede, tomo 1,5 litro de água muito rápido.
A Ruta 14 é um trajeto basicamente em linha reta, com pouco movimento e bom asfalto, e com aquele limite de 130, rendia bem. A maior preocupação ali é a policia Caminera, famosa pelas cobranças de propinas de turistas brasileiros. Mas, tentamos seguir ao máximo as dicas que recebemos que eram: Sempre andem com as câmeras nos capacetes e nos postos de controle, passem com o pisca alerta ligado. Foi assim que fizemos, realidade ou pura sorte não fomos parados nenhuma vez neste trecho. Foram mais 260 quilômetros até chegarmos a Paso de Los Libres a última cidade argentina. A fronteira com o Brasil. 
Mas antes, ainda abastecemos mais uma vez e mais uma vez filas para conseguir gasolina. Sem problemas, era a última abastecida na Argentina e também o objetivo era gastar os pesos argentinos que ainda tínhamos.
Na aduana uma grande confusão era gente entrando e saindo da Argentina. Como sempre fizemos, ficamos a Sara e Eu cuidando das motos e o Edu foi sozinho para a imigração. Quando ele voltasse a Sara e eu iríamos. A fila estava grande e demorou quase meia hora para o Edu conseguir realizar a imigração. Quando nós fomos, um agente argentino disse que era para pegarmos as motos e irmos para o posto de saída e lá teríamos nossa saída carimbada. Todo aquele tempo perdido sem necessidade, mas o Edu pediu informações e era tudo muito confuso. Carimbamos e de longe já víamos a bandeira do Brasil. Era um ótimo momento, estávamos felizes pela realização deste sonho e felizes de estarmos novamente no nosso país. Passando a ponte, nossos relógios foram adiantados em 1 hora devido ao nosso horário de verão.
O calor estava forte ao meio dia, quase nos 40º e para ajudar eu não vi a saída para a cidade de Itaqui e segui reto, uns 5 kms depois me dei conta que estávamos indo na direção errada. Daí voltamos e pegamos a estrada correta, cheia de ondulações e muitos caminhões.
Chegamos em São Borja e entramos na cidade para abastecer, comer alguma coisa e levar um susto com o preço da gasolina: R$4,12. Seguimos até Ijuí onde paramos novamente para abastecer, agora a R$3,99. A estrada continuou com má conservação até chegarmos a Passo Fundo, com muito calor e muito movimento.
Neste ponto da viagem, a turma se separou: O Edu seguiu para Erechim e nós ficamos em Passo Fundo para no próximo dia seguir para Blumenau. Nos despedimos depois de 20 dias juntos, nessa altura, todos já pensando em chegar em suas casas. Mas queria dizer que o Edu foi um grande parceiro de viagem foi ótimo poder contar com a companhia dele. Sempre solícito e disposto sem contar que muito bem equipado com vários equipamentos que eu costumo não levar. Valeu mesmo Edu!! Obrigado por tudo, vamos pensar na próxima... 
Em Passo Fundo, nos despedimos no trevo errado e acabei pegando o contorno da cidade que sai para Cruz Alta. Incrível como um caminho tão conhecido por mim e ainda fiz essa burrada, voltamos e pegamos o caminho certo para a cidade, onde nos hospedamos no hotel Maitá. Ficamos 1 hora pelo menos na hidro do hotel para relaxar, ainda faltavam 500 kms...

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Dia 19 - Santa Rosa x Concórdia - 937 kms

Acordamos e fomos para o café da manhã, eu já tinha organizado minhas bagagens para não mais ficar tirando todos os baús da moto. No café conversamos com vários brasileiros e a reclamação era que o câmbio de reais para pesos estava muito ruim. E estava mesmo.
Partimos antes das 08:00 ainda, abastecemos e seguimos pela Ruta 5, caminho já conhecido, pois foi por onde viemos. Muitas pastagens e campos enormes de girassóis ao longo do caminho, menos mal, pois já estava cansado de ver apenas pampa pela frente. Neste trecho, os argentinos andavam muito forte, tinha que se ter muito cuidado, pois chegavam a nos ultrapassar a mais de 150 Km/H.
Neste dia, passamos pelos arredores de Buenos Aires, uma região que me amedronta um pouco, um conhecido meu foi assaltado para aquelas bandas e pra ajudar, na hora que passei os mapas para o GPS, faltou justo daquela região.
Mais uma vez, felizmente o Edu nos salvou, guiando ao caminho de acesso para a Ruta 12. Passamos uma ponte gigante onde ao lado tem uma outra ponte onde cruza o trem e depois por mais uma.
O Calor era muito forte, na casa dos 40º, inacreditável, a poucos dias estávamos a temperaturas na faixa dos 0º e agora estávamos derretendo.
Pegamos a Ruta 12, famosa por sua policia caminera que sempre acaba por parar os brasileiros, inventar infrações e cobrar altos valores para liberar os viajantes. Felizmente, nenhum problema. Andamos forte, a meta era chegar logo a Concórdia, estávamos cansados e a Sara com muita dor no nervo ciático, sentia que ela as vezes se apoiava nas minhas costas para relaxar um pouco.
Achei um hotel no Booking, e para nossa surpresa, era as margens da Ruta 12 mesmo um mega hotel que estava lotado, com uma grande piscina e um bar muito bom. Lá relaxamos, afinal, foram 2 dias tensos. Tomamos cerveja, apreciamos o por do sol e eu e a Sara fomos numa grande loja que ficava perto, chamada "Regionales Maria" compramos Alfajores, azeites e mais algumas coisas, ainda restava espaço nos baús.
Jantamos alegremente, o final da viagem estava próximo, mas estávamos felizes. Ah, minha moto parara de dar erros no painel e estava tudo bem, graças a Deus.






Dia 18 - Comodoro Rivadavia x Santa Rosa - 1.200 Kms

O dia prometia fortes emoções, mal sabíamos nós quais eram... Principalmente eu. Saimos do hotel já as 07:30 e abastecemos no centro da cidade de Comodoro. Comodoro é uma cidade grande, litorânea e com praias bonitas, só não sei se a água tem temperatura boa.. Mas deve ser frio. O dia amanheceu com céu claro e saímos da cidade com bastante sol e aquele vento lateral insistente. Apesar de ser na parte da manhã, já soprava forte, estávamos bem próximos ao mar. Passamos por belas paisagens de praias, montanhas e também de uma grande fazenda eólica. É um desperdício não aproveitar aquele vento todo não é mesmo?
Nosso primeiro abastecimento foi em Garayalde, onde encontramos 3 brasileiros daqui da região de Blumenau: O Marcos, o Geraldino e o Leocir, eles são de Indaial e Timbó, temos amigos em comum e foi uma grande festa quando nos encontramos. Também falamos com um grupo de argentinos que estavam descendo para Bariloche e Carretera Austral.
Continuamos subindo a Ruta 3, que me espantou pelas más condições das pistas, um contraste grande com o que estávamos acostumados.
Ah, os Guanacos estavam por toda parte, um perigo. Mas felizmente nada aconteceu, apenas vimos alguns atropelados e nada mais. Fico pensando no coitado que atropelou aquele bicho que pode pesar até 300Kg.
Paramos em Sierra Grande para novo abastecimento e fazer um lanche, o calor aparecia e era hora de começar a tirar aquele monte de roupas.
Seguimos até Rio Colorado, e lá decidimos que daria tempo de seguir ainda até Santa Rosa, a maior quilometragem já rodada num dia por mim e pela Sara.
Quando saímos do posto e pegamos a Ruta Provincial 154, acendeu no meu painel uma luz que indica problemas na suspensão eletrônica. Até aí pensei que era alguma coisa relacionada à manutenção que fizéramos em Ushuaia, mas logo em seguida acendeu a luz do ABS também. Pensei comigo, vou continuar andando e lá em Santa Rosa eu tento descobrir o que era. A Ruta 154 é uma grande reta com mais de 100 kms de extensão. Mas, quando fui reduzir para pegar o cruzamento com a Ruta 34, apertei a embreagem e a moto simplesmente apagou tudo. Na hora, pensei que fosse um fusível queimado, pois havia acontecido algo parecido quando eu tinha uma XT660R. Tirei a carenagem e fui verificar um por um. Nada. Aí o Edu teve a ideia de testarmos a bateria que havia sido trocada lá em Ushuaia e Bingo! A moto pegou na hora. Nessa hora pensei, ainda bem que o Edu está conosco, senão estávamos com sérios problemas, e ainda melhor que ele tinha uma bateria reserva. Serei grato eternamente a ele. A noite começava a cair e ainda tínhamos alguns quilômetros para percorrer, ainda a noite não é preferência nossa.
De longe avistávamos a cidade de Santa Rosa e também um céu carregado e com grande quantidade de relâmpagos. Era só o que faltava, ainda termos chuva pela frente. Foi muito tenso, mas felizmente chegamos em Santa Rosa sem chuva.
Eu já havia reservado hotel então nos dirigimos para o Hotel Cuprum, onde fomos muito bem atendidos e acomodados em ótimos quartos, o meu e da Sara tinha até banheira de Hidromassagem. Ainda bem que reservamos, pois a cidade estava lotada e vi vários hóspedes serem dispensados pela falta de acomodações.
Foi um dia tenso, não imaginava viver tão fortes emoções, felizmente tudo correu bem.


sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Dia 17 - Rio Gallegos X Comodoro Rivadavia - 770 kms

O dia amanheceu limpo e frio, como todos os demais dias. No café conversamos com brasileiros de londrina que estão viajando pela Patagônia.
Logo as 07:30 já estávamos rodando em direção ao norte. Ruta 3 com pouco tráfego. De carros. Porque de guanacos, nossa, muitos. Todos pastando às margens da rodovia. O que inspirava cuidados. Esses bichos são imprevisíveis. Quando ouvem algum barulho levantam a cabeça e dai é só fazer a sua aposta para que lado ele vai correr. O meu medo era sempre de um deles virem na nossa direção, mas felizmente nada aconteceu. 
Na nossa primeira parada, encontrei alguns conterrâneos, da região de Indaial e timbo. É mais alguns argentinos que viajavam para a carretera austral. 
Ao meio dia chegamos em Puerto Sán julian, onde visitamos a réplica da Nau vitória, usada por Fernão de Magalhães. Ela é feita do mesmo tamanho da nau original. 
Voltamos para a estrada no início da tarde e o vento já soprava novamente. A paisagem quase não muda. Muito árida e com grandes pampas. Em alguns momentos passamos por cânions e por entradas de parques nacionais. Mais isso fica para uma nova viagem. 
Paramos em Caleta Olívia para abastecer, uma cidade litorânea com uma grande faixa de praias. Dali em diante a ruta 3 se encheu de carros e óbvia. Transito complicado. 
Chegamos em Comodoro rivadavia, uma cidade bem grande e fomos atrás de hotel. Estamos hospedados e amanhã vamos sair cedo. Agora a meta e voltar para casa. Ainda faltam vários kms. 
Ao pessoal que está pedindo sobre Hoteis, peço paciência, assim que chegar, colocarei um resumo dos hotéis e preços. 

Muito obrigado.