domingo, 6 de abril de 2014

10º Dia - Gramado / Blumenau - 500 Kms

Este era o nosso último dia de viagem. Acordamos sem pressa, pois tínhamos dois dias de férias. Na pior das hipóteses, ficaríamos mais uma noite fora, sem medo. Mas, a estas alturas, estávamos ansiosos para chegar em casa. Rever a família. Impressionante como estávamos com saudade de casa e das nossas mães. 
Fomos para a sala de café da manhã do hotel. Uma coisa incrível. Tinha uma variedade imensa de doces e salgados. O melhor café da manhã da viagem. Aquele hotel nos convidava a ficar mais um dia lá. Mas, tanto eu quanto a Sara, já conhecíamos Gramado. Com certeza, ainda haviam outras coisas para explorarmos, mas a vontade de ir para casa era maior. Optamos por sairmos do hotel e irmos apenas na fábrica de chocolates Caracol. E de lá, seguir para casa.
Na porta do hotel - Romântico né?
Os chocolates Caracol, é uma loja fascinante. Tem um museu que conta a história do chocolate e toda a evolução deste alimento maravilhoso que todos adoram. É um lugar muito legal para as crianças. Há árvores falantes, que jogam água, aromas, etc. Vale o passeio.
Depois do museu, fizemos a festa na loja. Compramos alguns tipos de chocolates para levar de presente. E claro, para nós também. Depois disso, o desafio: Colocar as compras no baú - Realizado com sucesso! Maravilha.
Fábrica de Chocolates Caracol

 Uma parada no portal de Entrada de Gramado para uma foto. Básico, não poderia faltar.


Saímos as 10 em ponto de Gramado. Destino Blumenau. O tempo estava bastante nublado. A BR-116 no sentido Vacaria, é cheia de curvas sinuosas. Requer muita atenção e cuidado. Mas o visual compensa. É um caminho lindo. Quero voltar lá. Tem muitos lugares bonitos para conhecer naquela região.
Chegamos em Caxias do Sul, próximo ao horário do almoço. Aquela região é um pouco complicada de passar, pois a BR-116 cruza o perímetro urbano da cidade. Muitos carros, caminhões, se misturam ao trânsito local. Muito cuidado e cautela neste trecho.
Paramos em São Marcos, na Vínicola Sinuelo para almoçarmos. Saboreamos uma deliciosa sopa de Capeleti. Também abastecemos a moto e sugeri à Sara que vestíssemos nossas capas de chuva. Detalhe: Era a primeira vez na viagem toda que íamos usar as roupas. No último dia, tá valendo.
Foi muito acertada esta ideia, porque depois de aproximadamente 20 quilômetros, a chuva começou. Não era nada muito forte, mas o bastante para encharcar nossas roupas se não fossem as capas. Seguimos com chuva até Vacaria. Deu uma trégua, porém, após a nossa segunda parada para abastecimento no distrito de Capão Alto, já no estado de Santa Catarina, voltou a cair.
Passamos por Lages com um tempo bem fechado, porém, já sem chuva. Fomos em direção à Otacílio Costa e o mau tempo estava nos cercando. Quando entramos na BR-470, novamente chuva. Desta vez muito forte. O detalhe é que o mau tempo estava indo na mesma direção que nós. Quando chegamos em Rio do Sul, não chovia mais. Porém, o mau tempo chegou poucos minutos depois de nós.
Lá, conhecemos um rapaz que nos contou que ele mais dois parentes, foram para Foz do Iguaçu e Argentina a bordo de 3 Honda Biz 125cc. Fiquei impressionado com a história. E isto só demonstra que o tamanho da moto não impede em nada para realização dos nossos sonhos. Basta ter coragem, planejamento e tempo.
A chuva voltou a cair. Saímos em seguida, deixando o mau tempo para trás. Este seria o pior trecho de toda a viagem. A BR-470 tem um grande movimento de caminhões e carros. E outro fator que complica muito é a imprudência dos motoristas. Muito crítico andar neste trecho de aproximadamente 80 quilômetros. A ansiedade de chegar em casa batia forte. E nestas horas é que acontecem os acidentes. Comprovando estatisticamente. Quando estávamos à 20 quilômetros do nosso destino, decidi que era hora de dar uma parada, respirar, tomar uma água e relaxar um pouco. Baixar a adrenalina e chegar em casa em segurança. Também estava estranhando o consumo da moto. Tinha abastecido antes de Lages, já havia andado 230 quilômetros e a luz da reserva não tinha acendido ainda. Abasteci e para minha surpresa, foram necessários apenas 10 litros. Ou seja, consumo de 1 litro para cada 24 quilômetros. A melhor média de toda a viagem. Atribuo isso pela redução da velocidade média, devido à serras, curvas e movimento intenso.
De lá, seguimos para o Parque Vila Germânica. Minha mãe tem uma loja lá e queríamos fazer uma surpresa para ela. Afinal, não falamos que chegaríamos naquele dia. Foi um momento emocionante. Todos nós choramos. A saudade era grande, e acho que ela estava bastante preocupada com a viagem. Ela já se acostumou com as minhas idas e vindas de moto. Mas, ano passado, sofri um acidente, que assustou ela. E acho que ela sente um pouco. Mas felizmente nada aconteceu de ruim. Tudo correu na mais perfeita ordem e estávamos em casa. Felizes e realizados.
Na entrada do parque, pedimos para uma pessoa tirar uma foto nossa. E foi engraçado. Era um americano. Conversamos um pouco com meu inglês modesto e ele tirou a nossa foto.
Total da Viagem: 3.491 Kms

Fomos na casa da Sara, para dar um abraço na Dona Terezinha. Mais um momento de forte emoção. Todos felizes com a nossa volta. E nós também. Foram 10 dias incríveis.
Só tenho a agradecer a Deus, por me dar forças e condições para realizar este sonho. A Sara, minha companheira de viagem. Ela nunca tinha feito uma viagem tão longa, mas me surpreendeu pela parceria e pela resistência. E também a paciência. As vezes sou difícil de lidar, (risos). Agradeço à minha mãe também. Mesmo ela tendo medo dos perigos de uma viagem dessas. Em momento algum me desestimulou. Sempre me apoiou e vibrou junto a cada passo que dávamos nesta viagem.
Pode ter sido uma viagem pequena para muitos motociclistas. Mas para mim, foi a maior. E pode ter certeza. Foi a primeira de muitas que ainda virão.
Voltamos com a bagagem muito pesada. De amizades, experiências, novos lugares que conhecemos e muita alegria. As baterias vieram cheias de energias. O coração veio carregado de emoção e a vontade de viajar, aumentou e muito.
Obrigado a todos que acompanharam, apoiaram, riram, choraram e nos impulsionaram para realizar este sonho que eu guardava a tantos anos. Depois de muito ensaiar, chegou a hora de botar no papel e pôr em prática. Vou citar meu amigo Giovani, Leão in solo:  OBRIGADO SENHOR!!!!


2 comentários:

  1. Parabéns pela aventura Patrick e Sara!
    Relatos bem escritos, com simplicidade e transparência, mas mostrando todo o seu entusiasmo, isso é muito bacana!.
    As fotos também mostram como é linda essa. Costumo dizer que quando planejamos e almejamos algo, tudo concorre para que isso aconteça da melhor maneira possível e isso realizou-se com a aventura de vocês, um sucesso!.
    Diz um escrito de São Francisco: "Comece fazendo aquilo que é necessário, depois o que é possível, quando se vê, estarás fazendo o impossível"...
    Um abraço.
    Geraldinho

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  2. Confesso que fiquei um pouco receosa quando recebi o convite, pois sempre viajei de carro para lugares mais distantes. Logo vieram as preocupações que toda mulher tem:E o conforto do carro? É seguro? Será que Vou aguentar? Como vou levar "o meu armário"em um bauleto? rs.Ao saber que era seu sonho, não pensei duas vezes, aceitei! Mudei completamente a opinião depois desta viagem! Me senti muito segura em todos os momentos, você teve um cuidado extremo com meu conforto, cuidou de tudo com tanto carinho que não posso reclamar! Ah... Vou levar menos roupas na próxima viagem!!!!Fazer parte da paisagem, ver tudo de outra forma, essa sensação de liberdade , não tem preço! Obrigada por ter planejado tudo com tanta antecedência e por ter sido um piloto incrível!!! Hoje viajo de moto mas, só se for com você! Te amo

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