domingo, 1 de março de 2015

Dia 01 - Blumenau x São Miguel do Oeste - 580kms

E aí pessoal, hoje finalmente vou iniciar a escrever os relatos da viagem mais completos. Prometo que vou tentar postar o máximo de informações possível, desde que a minha memória permita.
Chegava a hora da tão esperada partida. Depois de meses de planejamento, coleta de informações e viagens virtuais, chegava a nossa vez. Falando um pouco na primeira pessoa, eu sonhava com esta viagem a pelo menos uns 5 anos. Conversava com amigos que tinham ido, lia relatos, livros e por algumas vezes, ensaiei a minha ida. Infelizmente (ou felizmente), não tinha dado certo. Mas, nada acontece por acaso. Acredito que tudo aconteceu na hora certa e como deveria acontecer. Quando mais me aproximei da minha ida, sofri um acidente, minha moto teve perda total, felizmente eu não tive muitos ferimentos, logo logo, já estava andando de moto novamente. Mas, confesso que na época "tirei o pé" e resolvi esperar um pouco. Fizemos uma primeira viagem internacional para o Uruguai eu e a minha esposa (futura), bom, vocês vão ver no decorrer dos relatos, vou explicar melhor...
Esta primeira viagem, que está publicada neste blog, foi fundamental para o nosso aprendizado. Viajamos por um país muito tranquilo e acolhedor, foram 10 dias incríveis pelo Uruguai, recomendo a quem quiser, é uma viagem bastante boa para se ter um primeiro contato com outro idioma, aduanas, etc. 
Depois dessa viagem, estava decidido, era hora de ir pro Atacama, não tinha mais o que esperar, era pegar a moto e ir. Voltamos do Uruguai em março, e começamos a planejar a viagem, a princípio, uma viagem solo nossa. Porém, no decorrer do tempo os amigos Alencar, Gilmar e Débora toparam ir juntos. 
Foram meses de reuniões, planejamento, busca por hotéis, informações sobre estradas e aduanas. Pontos turísticos, o que fazer e o que não fazer, etc. Toda esta preparação fez a diferença com certeza, recomendo a quem quiser fazer uma viagem destas, o planejamento é essencial, otimiza seu tempo e também te previne de alguns possíveis problemas que possam ter pelo caminho. Como por exemplo, a passagem da ponte de Corrientes-AR, ou melhor, a avenida que liga à ponte, onde não se pode trafegar pela pista principal de moto. E por aí vai, mais a frente vocês verão.
Mas voltemos ao tema inicial: A partida!
Era dia 31 de janeiro, porém, a movimentação começara já no dia 30. O Alencar que mora em Anitápolis, saiu de lá e veio ao nosso encontro em Blumenau. Ele chegou em Blumenau no meio da tarde, já encarou um pouco de chuva, porém, nada preocupante. Na sexta a noite deixei tudo pronto, encaixei os baús na moto, revisei os equipamentos, coloquei pilhas no SPOT, no GPS, câmeras prontas, etc. Tinha um pouco de receio de esquecer alguma coisa. Sem contar nos documentos e no dinheiro, isso sim poderia ser um grande problema durante a viagem. Porém, tudo certo.
Era hora de ir dar um abraço nas nossas mães. Esta parte foi um pouco difícil, foram beijos e abraços já apertados de saudades, apreensão, etc. Aquela história de amor de mãe sabe? Engolimos o choro e fomos embora. Um momento bastante complicado, nesta hora a minha cabeça fervia, pensava mil coisas. Queria dizer para minha mãe que quando voltarmos faríamos alguma coisa juntos, mas daí me perguntava se realmente tudo daria certo, enfim. Minha cabeça estava muito atordoada, estava preocupado, mas tinha que isolar estes pensamentos, isso poderia atrapalhar o desenvolvimento da viagem. Enfim, assunto encerrado. 
Pedimos uma pizza na nossa casa e o Gilmar e a Débora vieram comer conosco, tomamos uma cerveja para relaxar, senão ninguém dormia naquela noite.
Também não posso deixar de falar sobre o carinho dos amigos, muitos mandaram mensagens pelo facebook, wats, etc, desejando sucesso na nossa viagem. Agradeço a todos pela torcida e apoio durante toda a viagem.
Amanheceu o dia 31, nem precisou o relógio tocar e todos estávamos acordados. Na nossa casa, tínhamos acabado com estoque de comidas, então fomos com o Alencar tomar um café no posto aqui perto de casa. Lá, o nosso amigo Flávio Carneiro, da cidade de Brusque nos esperava. Ele veio especialmente para a nossa partida.
O dia estava um pouco cinza, mas nada muito diferente do que os demais dias aqui em Blumenau. A temperatura estava amena, mas prometia um dia bastante quente. Nos reunimos na frente do prédio, tiramos algumas fotos e era a hora da partida. 
Saímos pontualmente as 08:00 da manhã, com destino à São Miguel do Oeste, onde era o planejado de dormirmos. Na saída, eu ia pensando no que nos aguardava nos próximos dias, o quanto esperei para este dia chegar, o que aconteceria, enfim. Andar de moto é um pouco solitário as vezes. Você está ali "sozinho" dentro do capacete, pensa em mil coisas, e a únicas respostas que ouve, são as que você mesmo se dá.
 A partida
Reunidos para o início da viagem
Já no início, o Alencar me alertou que o pneu da minha moto estava deformando demais. A calibragem não estava boa. Paramos num posto e recalibramos. Pegamos a BR-470, e esta rodovia inspira muitos cuidados, é um trecho bastante crítico, com muito movimento de caminhões e carros ao longo do trecho entre as cidades de Blumenau e Pouso Redondo. E, na minha opinião, o maior vilão deste trecho é a imprudência dos seus usuários, são várias ultrapassagens em locais proibidos, forçadas, etc. Porém, não há muita escolha, é a principal ligação do Vale do Itajaí com o Oeste do estado.
Em Ascurra, ficamos parados numa grande fila. Não sabíamos se era uma obra ou algum acidente. Esperamos sem tirar capacetes, pois pensávamos que seria mais rápido. Porém, o tempo foi passando e nada de andar. Depois de uns 25 minutos parados, começara a andar. O motivo, um acidente entre duas caminhonetes. Não deu pra saber se tinha feridos, mas as duas caminhonetes estavam bastante estragadas e tudo indicava que tinham batido de frente.
Continuamos em frente, apesar do movimento tudo seguia bem. A nossa primeira parada foi na cidade de Pouso Redondo, no Posto Mime, aproximadamente uns 170 kms rodados até a primeira parada. Ali já estávamos chegando na região serrana de SC. Depois de um abastecimento, ida no banheiro, etc, voltamos para a estrada. O planejamento era tocar até a cidade de Erval Velho, para almoçar no restaurante do Gringo.
Pegamos a estrada e depois de subirmos a Serra da Santa e entrarmos no Vale do Contestado, a temperatura mudou bruscamente. Pegamos uns 10° mais ou menos, mas seguimos em frente. Ali o movimento era menos intenso, apenas caminhões com contêineres, e tínhamos facilidade em ultrapassar, devidos aos trechos bastante amplos e sem movimento contrário. Passamos o entrocamento da BR-470 com a BR-116, seguimos por Curitibanos e em seguida para Campos Novos, onde mudamos da BR-470 para a BR-282 que nos levaria até a divisa com a Argentina. De Campos Novos até Erval Velho são uns 30 kms, e a hora do almoço se aproximava.
O Restaurante do Gringo, que fica às margens da BR-282 é parada obrigatória para quem vai pro oeste de Santa Catarina. Comida caseira e farta. Com carnes assadas e tudo mais. E, claro, o Gringo, que é um caso a parte. O Gringo fica no buffet servindo lasanhas e massas para os clientes, e também fica de olho no abastecimento do buffet. Quando alguma coisa está acabando ele pega um microfone e pede pra cozinha abastecer o que é necessário. Lá na cozinha, um sistema de auto falantes se encarrega de alertar as cozinheiras do que está precisando no buffet. Um tanto quanto prático não?
Depois daquele belo almoço, hora de pegar a estrada. Porém, um problema: chuva. O Gilmar não queria vestir a capa de chuva, e nem os demais. Porém, eu não queria já ficar com aquele cheiro de cachorro molhado já no primeiro dia da viagem. Então, decidimos vestir os equipamentos. Não tinha cara de que estava chovendo muito, mas optamos por não arriscar. Vestimos aquela parafernália toda e saímos. Rodamos uns 5 kms, e a chuva parou. Que raiva. Pensei em andarmos até a próxima parada para daí tirarmos a roupa, porém, o calor era tanto, que paramos na beira da estrada e foi uma alegria só.
Havia um local na BR-282 que sempre que eu passava lá, tinha vontade de parar. É um restaurante que do lado, tem uma grande torre, com aproximadamente uns 30 a 40 metros de altura. Lá em cima, um mirante com vista para um grande vale. Uma vez conversando com pessoas da região, descobri que fizeram aquele mirante para avistar a região onde está localizado o município de Vargeão. Eu explico, diz a lenda que aquele local foi alvo de uma chuva de meteoros, e deste mirante daria para ver a grande cratera que se formou. Paga-se uma taxa de R$2,00 para subir no mirante, é um pouco assustador, pois a estrutura de ferro balança com o vento, porém, a vista é muito bonita.
 Esticar as pernas é preciso
Vista do mirante de Vargeão
Depois dessa parada continuamos em direção ao extremo oeste catarinense. Passando Xanxerê, Xaxim e Chapecó, paramos em Nova Erechim para um abastecimento bastante caro, em torno de R$3,40 o litro de gasolina. Estava muito quente e já nos aproximávamos do nosso destino.
A estrada piorou bastante neste trecho, com muitas ondulações, requereu bastante cuidado nosso, afim de evitar qualquer tipo de problema. Finalmente chegamos em São Miguel, onde paramos no Posto do Mauro, conforme tínhamos combinado, sempre abasteceríamos na chegada a algum destino, para na manhã seguinte não termos que procurar postos.
Liguei para o Alemão, nosso contato do Motoclube Cães do Asfalto,que gentilmente cederam a sua sede para nossa hospedagem. O Alemão veio rapidamente nos encontrar e nos levou para a sede dos Cães. Sem palavras para aquela acolhida, a sede dos Cães é muito bem montada, com alojamento para até 6 pessoas, confortavelmente montada com televisão, banheiro e um maravilhoso ar condicionado.
Lá na Sede conhecemos o Robert e a Nina, um casal muito simpático e também aventureiro das duas rodas. Eles também estavam na contagem regressiva para a Expedição Caracoles. Depois, o Robert voltou à sede, com uma nova e inusitada garupa, a sua cachorrinha Jullyta. A Jullyta sobe sozinha na moto e adora uma voltinha em duas rodas. Muito querida. Um membro da família de respeito!
Nossos novos amigos de São Miguel
Jullyta, a cadela motociclista
O Alemão nos levou até a sua loja de motos. Ele tem uma bela coleção de motos clássicas restauradas. São Cgs, DT´s, etc, todas em ótimo estado. Ele está vendendo algumas delas, quem comprar não vai se arrepender, as motos estão impecáveis.
A noite, chegou nosso amigo e grande ajudante do planejamento, o Diego Petry Melz, ele estava em São Lourenço do Oeste fazendo uns ajustes em seus baús para a sua aventura. Diego levou a sua mãe na garupa e sua viagem foi um sucesso. Acompanhei pelo facebook. Parabéns Diego pela aventura e pela sua mãe, sua fiel garupa. Foi incrível.
Jantar com o amigo Diego
O Diego queria apenas nos dar um abraço e seguir para casa dos seus pais, porém, foi vencido por nós e acabou ficando na sede conosco. Saímos para jantar na cidade e logo voltamos para dormir. O dia seguinte seria cheio.

Um comentário:

  1. Ta loco viu, pela maneira contada sobre o primeiro dia, tive a certeza de fui junto, realmente muito bom agora aguardar os outros dias para confirmar. obrigado amigo

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