terça-feira, 3 de março de 2015

Dia 02 - São Miguel do Oeste x Corrientes-AR - 708 Kms

Domingo, dia 01 de fevereiro, 06:00 da manhã e já estávamos todos em pé, preparando as motos para pegarmos a estrada e cruzarmos a primeira fronteira da nossa viagem. O dia amanheceu relativamente agradável, clima típico do nosso oeste, confesso que para mim estava até frio, mas estava bom. Como estávamos na sede dos Cães do Asfalto, não tínhamos café da manhã All Inclusive. mas também, era pedir demais dos amigos que gentilmente cederam o espaço para ficarmos gratuitamente. E ainda por cima com todo o conforto de um hotel. Ar condicionado, um bom banheiro, toalhas, etc. Agradeço imensamente ao Alemão, Robert, Molin e a todos os demais integrantes pela recepção e atenção conosco, saibam que todos vocês têm casa quando vierem a Blumenau. Será um prazer retribuirmos a recepção em São Miguel.
Sede do Motoclube Cães do Asfalto
Mas vamos lá, tínhamos um roteiro a seguir, o dia seria longo. O Diego, nosso amigo, ficou lá na sede conosco, e de lá ia para a casa dos seus pais. Antes, fomos levar a chave da sede na casa do Alemão. Partimos sem café da manhã pois não encontramos nada aberto. Lá de São Miguel do Oeste, continuamos pela BR-282, que para minha surpresa, não acaba em São Miguel do Oeste. Normalmente, quem opta por entrar na Argentina por Santa Catarina, vai por Dionísio Cerqueira, uma fronteira bem conhecida e utilizada, até mesmo pra quem vai para Foz do Iguaçu, dizem ser melhor ir pela Argentina do que pelo Brasil. Mas, como nosso amigo Diego nos sugeriu, e ainda por cima, foi lá conferir de perto antes de mandar alguém, a fronteira da cidade de Paraiso, no Brasil, está funcionando. Também conhecida como Peperi-Guaçu.
IMPORTANTE: Se optar por fazer imigração nesta fronteira, é importante ir com a carta verde feita e com algum dinheiro já feito cambio. A carta verde é obrigatória e não deixarão passar se você não tiver.
De São Miguel do Oeste, até a aduana, são aproximadamente 30 Kms, a estrada está muito boa, totalmente sinalizada e com asfalto excelente. Sem contar que, se tivéssemos ido por Dionísio, rodaríamos 120 kms a mais. IMPORTANTE: Se você colocar a rota pelo Google Maps, ele não vai calcular por este caminho que fizemos, pois ele ainda consta como de terra. Inclusive no meu mapa impresso está de terra. No BING MAPS, até dá pra fazer a rota por lá, mas também indica estrada de terra. Porém, podem ir sem medo, está tudo asfaltado. 
Mas voltemos a imigração. Chegamos na aduana antes das 08:00. É um lugar bastante deserto. Tinha apenas um policial e um agente de imigração. Ah, e alguns cachorros também. Chegamos as 08:00 pelo horário brasileiro de verão, porém, na Argentina ele não é válido. Estávamos então, novamente as 07:00.

Fizemos a imigração num processo bastante rápido e seguimos viagem. A estrada é novinha. Toda asfaltada e sinalizada. Esta estrada passa no meio de uma reserva ambiental, com animais silvestres, etc. Pelo caminho, vimos algumas "passarelas", feitas para animais cruzarem a rodovia em segurança. Estávamos andando pela Ruta 20. Naquele trecho, a minha moto ameaçou se desintegrar. Primeiro caiu um parafuso do protetor de mão. Acredito que por causa da vibração da moto. Paramos no acostamento e o Alencar fez uma gambiarra com uma "língua de sogra".

Chegamos na primeira cidade Argentina, San Pedro. Paramos num posto Esso à beira da estrada. Estávamos todos com fome, ainda não tínhamos comido nada, a não ser castanhas que levamos. Mas a conveniência do Posto era de dar dó. Não tinha nem um mísero café. Optamos por tentar entrar na cidade e procurar alguma coisa. Ledo engano, a cidade é pequena e estava tudo fechado. Perguntamos a um local, e ele nos disse que seria difícil encontrar alguma coisa. Daí vimos a rodoviária e tentamos lá. Também não achamos nada. Resultado: Castanhas e gel de hidratação foi o que nos restou.
Estávamos rodando na Ruta 14. E assim foi até o próximo abastecimento, na cidade de San Vicente. Lá paramos num grande Posto Shell. Grande pois, tinha até um mini posto apenas para atender moto, me senti muito VIP.
Posto para atender apenas motos
Finalmente conseguimos comer alguma coisa, neste posto tinha uma boa conveniência, onde pudemos comer "Media Luna" e tomar um café. Tinha também mini pizza, aquecida no microondas, uma delícia. Já estava na hora de comermos alguma coisa.
Na cidade de Leandro N. Alem (Não adianta me perguntar o que significa o N, porque não vi nenhuma placa com a descrição completa da cidade), lá bateu uma dúvida, pois daria para seguir reto ou virar a direita. Paramos num posto e perguntamos. Era para seguir reto. Antes disso, eu já tinha errado numa outra entrada. Passamos por um comando da policia Caminera, voltamos e, para não passar novamente na frente deles, parei no posto ao lado. Pedi informações e saímos pela lateral para a rodovia que tínhamos que pegar. Eles ficaram olhando, pensei até que viriam atrás, mas felizmente nada aconteceu. Tínhamos muito receio da policia caminera, muita gente nos falou de pedidos de propina pelo caminho. Até agora, tudo certo. Mas era apenas o primeiro dia na Argentina.
Voltamos para a Ruta 14, só que antes de chegarmos na cidade Gobernador Engeniero V. Viraso, teríamos que virar a direita. Eu não sei por que motivo, mas não me dei conta disso e segui reto. Quando estávamos na cidade de San Jose, me dei conta que estávamos errados. Paramos num posto e fomos consultar o mapa impresso (imprescindível), eu fiquei um pouco chateado por termos rodado a mais. Mas, como tudo tem um lado bom, a Débora me lembrou que se não entrássemos naquela cidade, não encontraríamos um lugar para abastecer e comer novamente (já era mais de meio dia). Aproveitamos para um lanche e, claro, hidratação. Fazia muito calor, as retas eram longas e o sol castigava.
Voltamos um 10 kms e viramos a esquerda como deveríamos ter feito antes. Mas enfim, estávamos de estômago cheio e com água para hidratação. A estrada era muito boa, era a Ruta 120, grandes fazendas ao longo da rodovia, com retas enormes, porém, sem acostamento.
A vantagem de fazermos este caminho, é que não passamos por Posadas, uma cidade grande, e que, na minha opinião, podendo fugir dos grandes centros, é sempre bom. Estamos com motos pesadas e largas, andar pelo trânsito de grandes cidades é sempre uma aventura. Agradeço ao Diego pela dica, valeu muito.
Depois da Ruta 120, viramos a direita na Ruta 12. Ela nos levaria até o nosso destino daquele dia. A cidade de Corrientes. Já na entrada da cidade, uma coisa me chamou a atenção. Um pequeno bosque à beira da estrada, uma placa sinalizando que ali era um camping. E, várias pessoas sentadas à sombra, tomando mate e conversando. Este tipo de local seria comum no decorrer dos dias que ficamos na Argentina. O argentino viaja muito, e era época de férias escolares lá. Foi bastante comum ver o povo sentado às margens da rodovia descansando ou fazendo um pic nic durante a viagem.
Nesta rodovia, passamos às margens do Rio Paraná, bastante grande, imponente, e emanando uma umidade gigante. Pensa num lugar quente. Era uma prévia do que nos aguardava no dia seguinte.
Durante este percurso, fomos ultrapassados por um grande grupo de motociclistas brasileiros. Acredito que eram umas 7 motos. Na entrada da cidade de Ita Ibate, o grupo estava parado na sombra, junto com mais dois carros. Nos cruzaríamos várias vezes durante a viagem. Em Ita, não tem posto na beira da estrada, então entramos na cidade e uns 3 kms para frente encontramos um posto. A entrada da cidade é bem bonita, com árvores ao longo da rua.




Voltamos para o calor infernal e para as grandes retas. E praticamente às margens do Rio Paraná. O calor continuava castigando.
Felizmente já nos aproximávamos de Corrientes. Chegamos na cidade e já de cara entramos na famosa avenida que dá acesso à ponte para Resistencia. Eu explico: Muitos motociclistas relatam que a policia caminera fica de tocaia nesta avenida, chamada de Avenida Independencia, que depois muda de nome. Nesta avenida, segundo a policia, não é permitido o tráfego de motos na pista central, apenas na marginal, ou, como eles chamam, avenida coletora. Quando o motociclista chega na cabeceira da ponte, eles param e começa a ladainha. Dizem que vão multar em 1.000 pesos argentinos, etc, etc. Depois, acertam um valor "por fora" para liberar os motociclistas.
Não iríamos passar a ponte naquele dia, mas fiquei atento, assim que acessamos a avenida, já peguei a avenida coletora à direita. Andamos alguns quarteirões e vi uma viatura da policia, digamos, meio escondida. Eu acredito que aquele lá, é o delator. Passa um rádio pros parceiros da ponte e daí a confusão começa.
Paramos num posto para abastecer antes de irmos para o hotel. Conversei com os frentistas que confirmaram a prática e falaram para andarmos pela via coletora. Mas eu tinha um mapa e uma tática para usar no dia seguinte.
Fomos para o hotel que já estava reservado, bem na frente da praça Plaza Cabral. Com uma bela igreja. Estava muito, mas muito quente, acredito que uns 35° com sensação térmica de 50º.
O hotel era meio "Old School", o elevador tinha aquela grade para abrir e fechar. Pensa na cena.
Aquele grupo do Paraná, chegou logo em seguida e ficaram no mesmo hotel que nós. Neste mesmo hotel estavam mais 3 brasileiros. Um deles se chama Rogério Benvindo, temos um amigo em comum, e quando ele viu o adesivo do meu blog, já perguntou para o Alencar de mim. Foi engraçado, ser procurado na Argentina, o mundo é mesmo uma aldeia. Naquele dia não falei com ele. Somente em Salta nos conhecemos pessoalmente.
Saimos para jantar e cama. O próximo dia seria a primeira provação. A Pampa Del Infierno, a ponte de Corrientes, as borboletas assassinas, o calor, etc...

2 comentários:

  1. Tava gostando demais porque parou. abraços.

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  2. onde esta a continuação da viagem?

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