terça-feira, 10 de março de 2015

Dia 04 - Salta - 0 Kms

Olá galera, no quarto dia da nossa viagem, não rodamos com as motos. Optamos por ficar em Salta, uma para aproveitar um pouco da cidade e outra para dar uma recuperada no corpo. Foram dois dias bastante intensos, então, todos precisavam deste pequeno repouso.
Salta é uma cidade muito bonita, tem mais de 700.000 habitantes, isso me espantou, não imaginava ter uma cidade tão grande no norte da Argentina.
Na manhã deste dia, a Sara e a Débora aproveitaram as comodidades do Hotel Yatasto para lavar as nossas roupas. Fui até uma mercearia na esquina da rua do hotel e comprei um sabão em pó líquido. Aproveitei para comprar folhas de Coca, já queria me prevenir do mal da montanha nos dias seguintes. Estava um dia bastante quente, propicio para secar nossas roupas. Sem contar nos equipamentos de andar de moto, que já estavam exalando alguns cheiros estranhos.
Folhas de Coca
Acordamos logo cedo e, eu estava preocupado com a bateria da minha moto que dava sinais de fadiga. Pesquisei na internet e encontrei o endereço da concessionária YAMAHA de Salta. Mesmo assim, queria uma segunda opção, falei com o Hector que me deu o endereço de outro mecânico de motos da cidade. Porém, eu queria ir logo as 08:00, mas, em Salta, o comércio só abre depois das 09:00. Fecha as 13:00 e reabre as 17:00, fechando por volta das 21:00. Estranho para nós estes horários diferentes do que estamos acostumados. Portanto, o negócio era esperar.
O Gilmar e o Alencar iam depois me encontrar na Yamaha, deixei o endereço da loja e parti antes deles. Eles estavam arrumando roupas, equipamentos, etc. Eu quis ganhar tempo no conserto da minha moto.
O trânsito de Salta, assim como a maioria das cidades grandes brasileiras, também é um caos. Lá ainda é aliado a motoristas um pouco mais inconsequentes, que não ligam seta, furam sinal vermelho, etc. A loja da Yamaha ficava a uns 5 quilômetros do hotel, e lá fui eu em busca da bateria nova.
No caminho, aconteceu uma coisa curiosa, estava parado num semáforo, e um carro parou do meu lado. Era um argentino querendo saber se eu era brasileiro, para onde estava indo. Conversei rapidamente com ele, e ele me perguntou se eu estava gostando de Salta e se estava sendo bem tratado na cidade dele. Falei para ele que era de Blumenau, uma cidade próxima à Balneário Camboriú, e ele logo abriu um sorrisão. Os argentinos adoram as praias catarinenses.
Essa rixa de brasileiros com argentinos não deveria existir. Eles recebem os brasileiros muito bem. Nós mesmo, não temos nada a reclamar do povo argentino. Em todos os lugares que fomos, as pessoas foram muito simpáticas e solícitas.
Mas voltemos ao meu problema elétrico. Cheguei na concessionária Yamaha, uma loja muito bonita por sinal, depois fui nos fundos onde havia a sessão de peças e oficina. Conversei com uma atendente e falei que precisava da bateria para a minha moto. Eu tinha o código da bateria original, passei a ela, porém, naquela Yamaha, não havia baterias da marca YUASA, não queria correr risco, então, queria a mesma bateria que equipa a moto de fábrica. Ela só tinha uma marca que nunca ouvi falar na minha vida. Se não me engano era MOTORBAT. Não quis arriscar. Perguntei à atendente se ela conhecia alguma loja que talvez teria a bateria. Ela me falou de uma loja que só vendia YUASA, pedi que ligasse para lá para ver se havia lá a bateria. Ela ligou e disseram que só conseguiam para o dia seguinte. Nós não tínhamos este tempo. A preocupação batia à porta. Saí da loja e disse a ela que voltaria mais tarde. Não comentei com ela, mas só voltaria se não encontrasse a bateria em outro lugar, daí o jeito era usar a marca que ela tinha mesmo.
Coloquei no GPS para ir até a loja que o Hector havia me indicado. Porém, uns 200 metros depois de sair da Yamaha, passei numa loja que se chama Destino 2 Rodas, e na calçada, havia uma Super Ténéré preta. Não parecia ser de cliente, pois estava em cima da calçada. resolvi parar e dar uma olhada na loja. Era uma loja bem bacana, vendia capacetes conceituados, acessórios, peças, etc. Falei com o balconista que ficou um pouco perdido, daí chamou o dono da moto que estava na calçada e proprietário da loja. Ele verificou no estoque e havia uma YUASA que aparentemente era igual à minha, porém, tinha 2 Ampéres a mais que a original da moto. Verificamos se era o mesmo tamanho, e era. Pronto, tinha resolvido meu problema. Perguntei o preço: $3.500 pesos argentinos. E também perguntei em dólar, ele me falou mas não me lembro quanto era. Eu devia ter pago em dólar, mas como estávamos no início da viagem, fiquei receoso de faltar dinheiro adiante, então paguei no cartão de crédito. A bateria saiu caro quando chegou a fatura do cartão. Mas tudo bem, melhor ter trocado num lugar que tinha estrutura pra resolver o meu problema, do que ficar sem bateria lá em San Pedro de Atacama ou em algum lugar que não haveria assistência.
Quando saio da loja, dou de cara com o Gilmar e o Alencar, eles foram na Yamaha, não me encontraram e estavam procurando um lugar pra lavar as motos. Levaram um susto quando me viram. E ao mesmo tempo ficaram aliviados, pois eles não tinham salvo o endereço do hotel e não sabiam como voltar, hahahaha. Encontramos uma lavação de acordo com o que o Gilmar e o Alencar estavam procurando e ficamos lá, esperando para lavar as motos. Nisso, conversamos com aqueles 3 brasileiros que estavam lá em Corrientes, vindo de São José do Rio Preto. Eles nos contaram que sairam de Corrientes depois das 10:00, pegaram 47º no Chaco e depois chuva. Aquela mesma chuva que conseguimos fugir dela no dia anterior. Nessas horas que o planejamento em sair cedo para pegar a estrada é fundamental. Nós saímos antes, pegamos máxima de 41º, esses 6 graus de diferença fazem toda a diferença no que diz respeito a desgaste físico. Os brasileiros estavam procurando pneus para as motos deles. E estavam assustados com os preços. As lojas lá, todas tem ANAKEE 2, pneu excelente e que parou de ser fabricado. No Brasil, é uma peça rara de ver sem lojas, lá tem em tudo quanto é loja, porém, o preço é absurdo. Um pneu traseiro medida 150, custa quase o equivalente a R$1.000,00, se para nós brasileiros já é caro, imagino para os argentinos.
Depois das motos limpas, voltamos para o Hotel, por aquele trânsito maluco de Salta, até entramos num corredor de ônibus sem querer, mas fomos alertados por um motociclista argentino e saímos rapidinho.
Fomos almoçar num restaurante muito legal próximo ao hotel, se chama "EL CHARRUA", um lugar com fachada histórica, seu interior cheio de peças de colecionador, como placas, garrafas, objetos, etc. Uma volta no tempo literalmente. O restaurante servia pratos requintados e saborosos. Eu comi um entrecorte delicioso. E os preços não eram absurdos, comemos bem e barato.

Restaurante El Charrua
De lá fomos explorar a cidade. Seguimos a pé pelas ruas da cidade, todas cheias de grandes prédios com suas fachadas antigas, mas bastante conservadas. São ruas estreitas com muitos prédios, e neles vários comércios, etc.
Fomos a pé até o Parque San Martin, de lá, pegamos o teleférico que leva até o Cerro San Bernardo. É um teleférico bastante extenso, que leva até um dos pontos mais altos de Salta. O teleférico é bastante grande, e seguro. Foi feito nos anos 60 se não em engano, e é de uma empresa suíça. Lá de cima, dá pra se ter uma ideia do tamanho da cidade. E o que é curioso, é que a região de Salta é montanhosa, porém, a cidade está encravada numa grande planície em meio a tantas montanhas. Não se vê nenhum morro entre a cidade, apenas envolvendo toda aquela imensidão urbana.
O Parque San Bernardo é muito bonito, tem cascatas artificiais, mirantes, lojas de artesanato e até mesmo aluguel de bicicleta se você quiser descer o cerro de bike. 
 Teleférico Cerro San Bernardo
 Vista da cidade de Salta







Voltamos ao parque San Martin e fomos passear numa feirinha que havia lá. Uma espécie de camelô, que vendia todo tipo de coisa. De DVD com música do Enrique Iglesias, a artesanatos em couro, cerâmica, cobre, etc. Lá já começamos as nossas compras. E também já compramos as balas de coca. Lá nesta feirinha, mais uma vez constatamos a receptividade dos argentinos conosco. Conversamos alegremente com um senhor, que estava ali para vender alguns produtos. Um legítimo caixeiro viajante. Era da cidade de Tucumán, conversamos bastante, damos risada, foi muito legal esse envolvimento com o povo local.
Estávamos voltando para o centro, em direção à catedral, quando, na frente de um hotel vimos uma moto brasileira. Fui conferir a placa da moto, era de Foz do Iguaçu, eram o Flávio e a Cris, que eu não via a muito tempo. Foi super legal encontrar os amigos, eles estavam retornando da viagem deles, passaram por vários lugares legais, alguns OFFs e estavam indo para suas casas. Esse mundo é mesmo uma aldeia, olha só, encontrar amigos lá na Argentina.
Flávio e Cris, encontro inusitado em Salta
Voltamos para o hotel pois o tempo ameaçava chover, e nossas roupas estavam estendidas ainda. Depois voltamos para conhecer a catedral basilica de Salta. Nossa, esse momento foi bastante emocionante. A catedral de Salta é simplesmente deslumbrante. Tem um altar com aproximadamente 5 metros de altura, todo em ouro, uma coisa incrível. Também tem um mausoléu com os restos mortais de vários mártires de guerra argentinos. Eu contei mais de 10 urnas expostas naquele local. Era hora de agradecer por estar ali. E pedir proteção para tudo que ainda estava por vir.


 Hora de agradecer e pedir proteção


Na saída da igreja, encontramos o Flávio e a Cris novamente, jantamos juntos no Hotel Salta. Na volta para o nosso hotel, fomos tomar um delicioso sorvete para refrescar.
Salta deixou um gosto de quero mais. O Hector me disse que o norte da Argentina é mais bonito que o Chile. Eu fiquei com muita vontade de voltar para aquela região. Falta explorar mais Salta, conhecer Cafayate, Tilcara, Maimará, Santo Antonio de Los Cobres, etc. Espero poder voltar em breve.
Era hora de nos despedir dos nossos amigos e ir pra cama, o dia seguinte seria a pré-cordilheira, fortes emoções estavam por vir.

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