quarta-feira, 11 de março de 2015

Dia 05 - Salta x Susques - 277 kms

Este foi, sem dúvidas, um dos dias mais emocionantes da nossa viagem. Tamanhas as belezas que nos deparamos pelo caminho que nos aguardava. Nos despedimos do Hector e do conforto do Hotel Yatasto e saímos por volta das 08:00. O trecho do dia era curto, apenas 277 kms, porém, como já tinha falado com amigos e lido alguns relatos, é um trecho muito bonito. Nas minhas pesquisas também li sobre alguns viajantes que saíram de Salta, e foram até San Pedro de Atacama no mesmo dia. E na maioria, se deram mal. Eu explico: Até San Pedro, são aproximadamente 600 kms, até aí, tudo bem. Dá pra fazer num dia. Porém, pra fazer isso, é necessário passar batido pelas belezas naturais do caminho. Alguns relatos que eu li, os caras ficaram na estrada a noite, o que é muito perigoso na cordilheira. A temperatura despenca para abaixo de zero, e pode acabar muito mal. Vendo isso, resolvi "quebrar" este percurso em dois dias. Parando para dormir em Susques, a última cidade (se é que dá pra chamar assim) do lado Argentino.
De Salta para Purmamarca é possível ir por dois caminhos. Voltar para a RUTA 34 que passamos no dia anterior e pegar a RUTA 66. Ou, continuar na RUTA 9. E este sim é o caminho mais legal para quem vai de moto principalmente. Este trecho da Ruta 9, é chamado de "La Cornisa". Depois que saímos do hotel, paramos para abastecer na saída da estrada e logo estávamos rodando na Ruta 9 novamente. Passamos por La Caldera e de lá, começava a diversão.
Este trecho da Ruta 9, é bastante estreito, acredito que dois carros não passam simultaneamente. É bastante estreito e com longas curvas fechadas. Como precaução, o ideal é buzinar antes das curvas, pois quem vem no sentido contrário, não vê quem está na outra mão.
Na beira da Ruta 9, há um grande rio seco. Acredito que encha apenas no degelo das montanhas. Tem um grande vão totalmente seco. Árido total. Começamos a fazer aquelas curvas todas, em alguns locais, de um lado muita vegetação, do outro, um grande abismo de matas. Todo cuidado era necessário, e claro, velocidade muito reduzida. Também não havia como, era tudo muito bonito naquele trecho. Fizemos algumas paradas para fotos, e em seguida, nos deparamos com a Laguna Campo Alegre, onde também tiramos algumas fotos. Depois da laguna há o dique Campo Alegre.














Neste trecho, também saímos da província de Salta para a província de San Salvador de Jujuy. Nesta cidade fizemos nossa primeira parada para turistar. San Salvador de Jujuy é uma cidade grande e também a capital da província. Fomos até um centro de informações turísticas, e há muitas coisas para conhecer lá. Mas como se tratava de uma cidade grande e de que não tínhamos como andar com todos aqueles equipamentos, capacetes em mãos. Optamos apenas por uma volta rápida pela cidade e seguirmos adiante.
Na saída da cidade, me confundi numa ponte e erramos o caminho. Cruzamos uma ponte, e, no final dela, eu ia optar por fazer uma "manobra alternativa", virando em cima da cabeceira da ponte. Mas, por algum motivo, resolvi usar o retorno, quando retornamos, me dei conta que havia um policial à sombra da ponte. Ufa! Por sorte evitamos um transtorno com a polícia.
De volta à Ruta 9, próxima parada Salta. Seguimos pela Ruta por mais uns quilômetros, vendo muito verde e também cruzando algumas obras nas estradas.
Mais adiante, saímos da Ruta 9 para pegar a Ruta 52, deu vontade de seguir na Ruta 9, para conhecer Tilcara e Maimará, mas essas cidades ficam para a próxima. O norte da Argentina já deixava saudades.
Na Ruta 52, o deserto começa a mostrar a sua cara, o verde dá lugar às montanhas desérticas, com vegetação típica, mais rasteira e solo bastante árido. Ah, e claro, as cores, são montanhas amareladas, avermelhadas, enfim. Um mix de cores incríveis.
Na entrada de Purmamarca já dá pra ver o famoso Cerro de Las Sete Colores. É uma montanha onde a pequena cidade foi incrustada ao seu redor. O cerro tem um misto de cores incríveis. Eu estava ansioso para chegar lá, pois haviam me dito que o cerro é mais bonito com o sol da manhã que bate nele. Felizmente conseguimos ver ele com todas as suas cores. Paramos para foto e já viramos pela primeira vez celebridades. Uma família argentina estava viajando e parou para contemplar a paisagem e para conversar conosco. Falamos sobre a viagem, sobre a Argentina e foi muito legal. Um dos homens pediu para subir na moto para tirar foto e foi muito divertido. Depois tiramos fotos com todos da família. Ficamos um tempo naquela entrada da cidade para contemplar e clicar aquele lugar incrível. Um casal de amigos havia falado muito daquele lugar, eu estava curioso para conhecer.


 Momento celebridade
 Cerro das 7 Colores







Fomos para a cidadezinha à frente, já na entrada um grande movimento. De carros, ônibus e vans. Era gente de toda parte do mundo. Purmamarca é uma cidade bem pequena, que vive praticamente do turismo. Existem muitas lojas de artesanato, restaurantes e hostels lá. As ruas são de terra, as casas feitas de barro, um visual bastante diferente do que estamos acostumados. Olhamos para o céu e vimos um efeito conhecido como HALO, são pequenos cristais de gelo que se formam nas nuvens formando este aro ao redor do sol.
Na entrada da cidade, um pequeno susto. Um dos baús do Alencar se soltou da moto. Provavelmente não foi preso corretamente em Salta, felizmente não caiu na estrada, o estrago poderia ter sido grande. Mas foi só colocar o baú de volta e seguir.
Paramos as motos ao lado de uma senhora que estava vendendo algo para comer, não dava pra saber o que era, pois ela estava com uma churrasqueira com tampa, só dava pra ver que tinha muita gente esperando pelos quitutes que ela preparava. Descobrimos que se tratava de pizza, ela assava na grelha. Mas antes de comer, fomos às compras. A Sara e eu compramos tocas, casaco de lã para minha sogra, capas de almofadas e mais algumas coisas. A variedade de artesanatos lá era incrível. As vestimentas e tocas feitas de lã de llama são o destaque. Porém, há muitas outras coisas. Eu comprei uma espécie de jogo de xadrez muito bonito. Não sei nem jogar, mas comprei para decorar, uma peça bastante bonita. Lá também compramos uma pomada, parecida com o vick, que se chama Mentisan, nos indicaram para usar em caso de passar mal por causa do mal da montanha.








Voltamos para perto das motos, a fome apertava. Pedimos aquelas pizzas, que custavam 20 pesos se não me engano. Algo em torno de R$4,40. Mas, enquanto comíamos e esperávamos as pizzas, parecíamos celebridade. A cada pouco alguém parava para olhar as motos, perguntar se éramos do Rally Dakar (Vê se pode!), para onde estávamos indo, de onde éramos, etc. Foi muito legal, as crianças queriam ver as motos, tirar fotos, subir, etc. Distribuímos adesivos, conversamos com as pessoas e ficamos muito gratos pelo carinho de todos conosco.




Saímos de Salta por volta das 13:30, voltamos para a estrada, mas não deu nem tempo para começar a esquentar de novo os motores e já estávamos parados novamente. Chegamos nos Cactos gigantes da região. São cactos com 4 ou 5 metros de altura, praticamente uma floresta de cactos no meio daquelas montanhas desérticas. Muito bonito.





Mais adiante, as placas indicavam a "Cuesta Del Lipan", uma espécie de serra do Rio do Rastro, porém, mais extensa, no meio daquele deserto, São curvas e curvas, e a altitude vai aumentando. Purmamarca já está a mais de 2.000 metros, ali na Cuesta, logo se está a 3.000 metros. E continua aumentando.




Paramos na placa de 4.170 metros, tiramos algumas fotos. Ah, esqueci de contar para vocês. Desde uns dois dias antes, eu já estava com muita tosse. E ali na subida da pré cordilheira, estava bastante forte. E a altitude ajudava a piorar tudo. Lá em cima, até para falar se torna um grande esforço, imagina então pra empurrar a moto para trás. Quando fomos sair, empurrei a moto uns 2 passos para trás, e quando a Sara foi subir, pedi que esperasse um pouco, pois eu estava completamente ofegante.
Continuamos subindo, o altímetro do GPS logo chegou à marca de 4.800 metros sobre o nível do mar. Porém, logo em seguida a descida começa. E, quando estávamos no topo da montanha, a vista é incrível, era o primeiro contato com a Salina Grande. O Deserto de sal lá no alto da cordilheira. Foi de arrepiar, tantas vezes vi fotos, relatos e sonhei estar ali, agora era a minha vez. Nossa, que sensação boa. A salina parecia próxima, porém, ainda estava distante, eram muitas curvas ao longo da montanha, porém, com aquele visual incrível, nem me dei conta que estávamos longe.



Chegamos na salina, e para nossa surpresa, em cima do sal, havia água. Havia chovido na noite anterior, e com aquela água em cima do salar, o visual fica ainda mais bonito. O céu se confunde com o chão, propiciando belas fotos. Muitos turistas tomavam banho naquela água que estava morna. Disseram para nós que aquelas águas com sal eram boas para cicatrização, etc.
Antes de irmos embora do salar, paramos numa casinha, onde dois meninos cuidavam de duas llamas, nos cobraram 10 pesos para tirarmos foto das llamas. Eu dei 10 para cada menino, me deu pena de vê-los ali, todos  bastante queimados do sol e do reflexo que ele faz no chão. Fiz um vídeo comendo salgadinho temperado com sal da salina, a pedido do meu amigo Ronan.
Depois, segui a dica do Hector, passei pela parte onde estavam os turistas, passei a área onde os caminhões extraem sal e encontrei um local que dava para entrar de moto no salar. A Sara desceu da moto e eu fui pra dentro do salar dar uma voltinha. Foi muito legal, espero editar logo os videos para poder mostrar para vocês. A Sara tirou várias fotos.






















O mal tempo se aproximava novamente, nuvens bastante carregadas se aproximavam, com raios e muita chuva nelas. Era hora de apertar o passo para evitar aquela água toda.
Chegamos em Susques, a última cidade Argentina, porém, bastante pequena. Havia um posto de informação na entrada da cidade, perguntei onde ficava o Hotel Unquillar e, em seguida, fomos num posto de gasolina. O posto consistia em duas bombas e uma casinha de barro. O frentista ou sei lá o que veio nos atender e disse: NO HAY NAFTA. Nossa, nessa hora eu gelei, pensei, era só o que faltava, longe de tudo e sem gasolina. Mas, perguntei se havia outro posto e o funcionário me indicou que a 3 quilômetros havia outro posto. Ufa! Fomos até lá e tinha gasolina, foi cara, mais de R$4,00 o litro, mas era o que tinha.
Chegamos no hotel e foi o tempo de tomar um banho e a chuva chegou forte. Um pouco antes, o grupo de Toledo chegou também. Estávamos novamente no mesmo hotel. A noite jantamos no hotel mesmo, que estava com poucos suprimentos e pouca bebida. Tomamos uma garrafa de vinho para tentar amenizar os sintomas da altitude, estávamos em 3.800 metros acima do nível do mar. Eu sentia dores de cabeça e pressão, a sara também. Fomos dormir cedo, pois o dia seguinte prometia, era hora de sair da Argentina e entrar no Chile.


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