domingo, 15 de março de 2015

Dia 06 - Susques x San Pedro de Atacama - 233 kms

A noite passada foi de muita chuva. Desde as 18:00 choveu até na manhã seguinte. Isto me preocupava, pois se continuasse chovendo, poderíamos ficar ilhados em Susques. E não era o que gostaríamos de fazer. Pois Susques é uma cidade a 3.800 metros, a noite fora péssima. A Sara e eu dormimos muio mal. Tivemos pressão na cabeça a noite inteira. Sem contar que a noite não passava. Fomos dormir as 21:00 e eu pelo menos acordei várias vezes. As horas simplesmente não passavam. Mas, felizmente amanheceu. Tomamos café da manhã, o Gilmar e o Alencar lubrificaram as correntes das motos e era hora e partir. Era hora de passar pela aduana chilena, no dia anterior, um motociclista brasileiro que vinha no sentido contrário, falou que na sua ida, foi severamente revistado, tiraram medicamentos, frutas, castanhas, etc que ele tinha na sua bagagem. Nós tínhamos uma quantidade de remédios para dor, febre, vômito e para a intolerância a lactose da Sara. Não estava afim de perder os medicamentos. E também tínhamos as castanhas que levamos para comer no caminho onde não encontrássemos lugar para comer algo.
O dia amanheceu com céu limpo, sem nuvem nenhuma, porém, estava frio, na casa dos 8º. Tivemos que vestir segunda pele, luvas térmicas e balaclava. Pois senão congelaríamos.  Saímos do hotel antes das 08:00, o trecho era curto, porém, o processo de imigração geralmente é demorado, pois concentra muitas pessoas e os tramites são demorados.
O frio era intenso, sentia meus dedos ficarem dormentes, a mão esquerda, eu conseguia tirar do punho e esquentar no radiador da moto, que fica do lado esquerdo da carenagem. Já a mão direita não tinha o que fazer. Nesta hora senti saudade da minha 800, que tinha aquecedor de manoplas. Fizemos uma parada para fotos, tirei a luva de couro e levei as mãos no escapamento da moto para esquentar um pouco.



Este trecho é muito bonito, entre o deserto e aquelas curvas todas, logo estávamos diminuindo a altitude, e, acho que só o fato de estarmos em movimento, minimizava o mal estar. O deserto do Atacama reserva muitas paisagens maravilhosas. Neste trecho, as montanhas mais altas estavam todas cobertas de neve, uma grande sorte nossa, pois é verão. então não é comum ter neve nas montanhas. A neve que víamos era em decorrência das chuvas que estavam caindo naquela época. No alto das montanhas as nuvens se condensam e a água forma a neve que cai sobre os picos mais altos.
Já quase na aduana, paramos no último posto antes do Chile. É um posto YPF, muito bom. Tem gasolina, o mais importante e uma loja de conveniência muito boa. Era hora de tomar um café para se esquentar. Era cedo, acredito que no máximo umas 09:30 da manhã.
Logo em seguida fomos para aduana. Lá já havia 2 ônibus, o que significa muita gente para imigrar e fazer todos os processos de saída da Argentina e entrada no Chile. O lado bom é que agora as aduanas estão integradas. Até pouco tempo atrás, neste ponto se fazia a saída da Argentina e a entrada no Chile se fazia já em San Pedro de Atacama. De certa forma isso agiliza um pouco a viagem. É necessário passar por 6 guichês diferentes para concluir os processos. Já no segundo guichê, o atendente olhou o documento da minha moto e falou: Nossa é uma bela moto! Já percebi que o agente gostava de motos, perguntei se ele tinha moto e ele afirmou que tinha uma R1. Convidei o agente para ir do lado de fora para conhecer as motos, falei que estávamos em 3 motos e seria legal se ele fosse conhecer. Era a primeira tentativa de evitar os confiscos aduaneiros. Depois, fui no controle da vigilância sanitária, onde se preenche um questionário, com perguntas sobre o que se está levando na bagagem. Na pergunta sobre frutas e castanhas, eu falei que tinha sim. Ela disse que eu teria que ser submetido a uma revista na moto, por mim sem problemas.
Estávamos do lado de fora esperando a revista, quando o agente Francisco veio revistar a minha moto e do Gilmar. Ele abriu apenas o baú traseiro da moto do Gilmar, deu uma olhada, viu as castanhas, tirou dois pacotinhos apenas e mandou ele fechar o baú e estava liberado. Depois na minha moto, o mesmo procedimento, sem nenhum confisco. O Francisco era muito simpático, posou para fotos e estávamos liberados para viajar,  Ainda faltava o Alencar que foi revistado por uma agente chilena, também não fez nenhuma ressalva e estávamos liberados.

Ficamos bastante aliviados em não termos nenhum tipo de transtorno com a aduana e imigração. O que me surpreende é que eles pedem poucos documentos para conferencia. Por exemplo, ninguém nos pediu se tínhamos o seguro SOAPEX. Um seguro que segundo a legislação do Chile, é obrigatório para veículos estrangeiros. Vai entender. Em todo caso, tínhamos feito o seguro e estava conosco. Se alguém pedisse, estava conosco. Ganhamos lá um papel com carimbo, depois precisaríamos dele em vários controles aduaneiros pelo país, onde tínhamos que parar e carimbar esse papel.
Saímos da Aduana e seguimos para a fronteira do Chile. Era hora de subir subir e subir de novo. Logo estávamos na placa que divide os países. Era mais uma grande conquista dessa viagem.. Já estávamos no outro lado do nosso continente, estávamos quase em San Pedro de Atacama. Um dos principais lugares da nossa viagem. Tiramos fotos, colocamos adesivo na placa que indicava as principais distâncias a partir daquele ponto. Conversamos com uma família brasileira de Chapecó que estava viajando de carro.
Continuamos vendo lindas paisagens e começamos a descer uma longa serra. Dava para ver longe as cuvas serpenteando aquelas montanhas. Pelo caminho, alguns belos mirantes para contemplar a paisagem.  E também uma bela laguna, infelizmente fico devendo o nome. Passamos pela entrada para a Bolívia e logo começamos a descer ainda mais, era um longo trecho de uns 16 kms ladeira abaixo. Nesta parte eu desliguei a moto e desci em ponto morto até lá embaixo.








Chegamos à San Pedro de Atacama!!! Não dava para acreditar, era muita alegria chegar naquela cidade! Eu estava muito alegre com aquele momento!! Paramos para tirar fotos na placa da entrada da cidade e em seguida, fomos procurar o hotel. San Pedro tem pouco mais de 2.000 habitantes, mas acredito que a quantidade de turistas lá, deve ser maior que a população. As ruas são de poeira, as casas são de adobe, uma espécie de argila e algumas tem telhado de palha. Sofremos um pouco para encontrar o nosso hotel. Estava bastante quente e é um pouco difícil andar pelas ruas estreitas de San Pedro, são muitas pessoas para todos os lados. Felizmente encontramos o HOSTAL JAMA, a Nancy nos recebeu e nos mostrou os quartos. Estávamos acomodados.







Saímos para conhecer a cidade em seguida, e também para almoçar, estávamos todos com fome. Almoçamos na praça da cidade, próximo à igreja que está em reforma. E também já fomos reservar o passeio para os Geisers Del Tatio para o dia seguinte. Nesta hora vale muito a pena pesquisar. O passeio para os Geisers tinham na primeira agência o custo de $20.000 pesos chilenos, depois encontramos por $14.000 pesos chilenos, algo em torno de R$56,00 por pessoa. O passeio contempla a van que leva até o parque, são aproximadamente 100 kms de San pedro e também guia e café da manhã no local dos passeios.
Também aproveitamos para ligar para casa e avisar a todos que estávamos bem! Também precisava fazer câmbio, e mais uma vez, pesquisar era preciso. Lá em San Pedro tem várias lojas que fazem câmbio, e é muito prudente fazer uma pesquisa antes de trocar. A diferença beirou os 10% de uma casa para outra. Também estava mais rentável trocar reais por pesos chilenos do que dólares. 
Aproveitamos o restante do dia para descansar, andar pelas lojas e fazer algumas comprinhas. O próximo dia seria o de começar a conhecer os encantos de San Pedro.

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