segunda-feira, 6 de abril de 2015

Dia 12 - Antofagasta x Vallenar - 732 Kms

Depois de uma noite revigorante naquele hotel de Antofagasta, era hora de partir. Mas antes ainda tomamos um belo café da manhã digno dos hotéis das serras gaúcha e catarinense. Fazia alguns dias que não tomávamos um café com tamanha variedade de doces, salgados e pães. Normalmente era apenas 1 pão, uma xícara de café e manteiga. O Hotel Spark atendeu e superou todas nossas expectativas em Antofagasta, recomendo a todos. Mas recomendo reservar com antecedência, pois aparentemente está sempre lotado.
Estava um belo dia de sol, sem nenhuma nuvem no céu, e nosso primeiro destino era a Mão do Deserto. Que fica a 50 quilômetros de Antofagasta no sentido sul. Era o ponto que dava nome à nossa expedição e que tinha grande importância para mim, e para muitos motociclistas que vão até lá. Apesar do sol e céu limpo, a temperatura era bastante amena, na casa dos 20°, e tinha um pouco de vento.
Pegamos a Ruta 5, em direção ao sul, era o início da volta pra casa, porém, com muitas coisas pelo caminho para ver. E aquele dia era muito especial. Finalmente chegaríamos a mão do Deserto. Já ouvi que é apenas uma escultura de concreto no deserto, porém, de tanto ver fotos e relatos de motociclistas que foram até lá, e ver o quanto alguns consideram aquele local, criei uma grande vontade de ir lá. Para mim, foi o marco da viagem. O marco do sonho realizado. Estar lá, do outro lado do nosso continente, a bordo de uma moto, era uma aventura que para muitos que conheço, um pouco comum, porém, para tantos outros, uma loucura. Para mim, um sonho antigo, um desejo que carreguei por anos e que finalmente se tornava realidade.
Passamos o trevo onde vai em direção ao litoral e pelo mapa do GPS via o alfinete da mão se aproximando cada vez mais. Até que a mão começava a dar o seu ar da graça, no horizonte, em meio à todo aquele deserto, uma grande mão surgia, um momento inesquecível para mim. E bastante emocionante também. Dentro do meu capacete, um filme passava na minha cabeça, as dificuldades, as desistencias em outras épocas da viagem, enfim. Tudo passou rápido na minha cabeça. E ao mesmo tempo eu pensava: Nossa, chegamos aqui! Eu não acredito. E você leitor, deve estar se perguntando: Nossa, tudo isso por causa de uma escultura? Sim caro leitor, tudo isso por chegar numa mão de concreto. Do outro lado do nosso continente, depois de rodar uns 4.000 quilômetros, passar frio e calor, e graças a Deus pouca chuva. Depois de ver muita gente chegar lá, chegava a minha vez. Agradecia a Deus por aquilo tudo, por estar ali com segurança e pedia a Deus que nos protegesse na volta, que ainda era longa. Eu estava realizado naquele momento.
Tiramos muitas fotos, esperamos um pouco para que alguns turistas terminassem as suas fotos para que começássemos o nosso "book". Inclusive, tiramos fotos nas costas da mão, muito bem feita, com todos os detalhes de uma mão de verdade.










Lá conhecemos um motociclista solitário, a bordo de uma Tiger 800XC, ele era de Honduras e estava a caminho do Ushuaia. Ia fazer a revisão de 10.000kms em Santiago de sua moto, depois encontraria alguns amigos em Buenos Aires para seguir para o fim do mundo. Pensa no tamanho da aventura.
Depois de muito fotografar, era hora de seguir viagem. Muita gente, segue ao sul pela Ruta 5 mesmo, porém, resolvi acatar a sugestão do amigo Beto, e voltamos uns 15 kms sentido norte, e viramos a esquerda, sentido Paposo. Por este caminho, volta-se para a beira do mar. E antes de chegar próximo ao Pacífico, descemos uma linda serra. Lá de cima, dava pra avistar o povoado de Paposo. No caminho, vários monumentos em homenagem à pessoas que morreram naquelas curvas sinuosas. Um tanto quando mórbido, porém, nos ajuda a manter a cautela pelo caminho, são belas paisagens, com belas curvas, mas que se não feitas com cuidado, podem ser fatais.
Lá em Paposo, procuramos um posto para abastecer as motos, porém, sem sucesso, na cidade não há posto nenhum. Gasolina somente em Taltal. Fomos na ponta dos dedos, estava apreensivo que alguém ficasse sem gasolina. Felizmente chegamos sem maiores problemas. Encontramos um posto Copec, onde abastecemos e fizemos um lanche.



Seguimos em frente, com a próxima parada na cidade de Chañaral, cidade que foi drasticamente afetada por uma grande enchente recentemente, passamos apenas para abastecer e seguimos adiante. No caminho, muitas obras pelo caminho, as estradas estão todas em obras. Com grandes desvios, alguns chegamos a andar uns 2 kms deserto adentro até voltar ao asfalto. As paradas eram longas, dava pra tirar o capacete, descer da moto e esperar. Num desses desce e sobe na moto, quando a Sara foi subir na moto, eu não estava com os pés bem firmes no chão e a moto foi pendendo para o lado direito, a Sara tentou segurar a moto com um dedo (risos), e eu pedia a ela que deixasse a moto encostar no chão. Eu fui deitando a moto devagar, até que o baú encostou no chão e felizmente a moto não prensou meu pé ou da Sara. O Alencar nos ajudou a levantar a moto, e atrás de nós, muitos carros aguardavam levantar a moto para seguirem. Nada grave, graças a Deus.




Passamos ainda pela cidade de Caldera, onde abastecemos novamente, e depois disso, saímos da beira do Pacífico definitivamente. Chegamos em Copiapó e novamente encontramos o Hondurenho que seguia para o Ushuaia, já era umas 5 da tarde, resolvemos comer, um belo prato de "lomo A lo Pobre", um belo prato antes de chegarmos no hotel.
De Copiapó até Vallenar, pista dupla. Um show! As estradas do Chile são grandes tapetes negros, porém, todo bônus tem o ônus: Pedágios, assim como no Brasil, e motos pagam. Neste dia pegamos muitos ventos laterais, isso desgastou a todos.
Chegamos em Vallenar, abastecemos as motos e fomos para o Hotel Esmerada, um hotel simples, porém, bastante limpo e acolhedor. O Senhor José nos recebeu com muita simpatia, nos ofereceu água e nos mostrou os quartos. Ele não tinha mais quartos de casal disponível, porém os de solteiro tem aquelas camas de viúvo, pronto! Problema resolvido. Nos hospedamos e fomos descansar.

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