terça-feira, 7 de abril de 2015

Dia 14 - Los Andes x Mendoza - 280 Kms

Era chegada a hora de deixar o Chile, depois de 8 dias andando por aquele país, era hora de deixá-lo para trás. Mas ficaram boas histórias, bom povo, novas amizades e muitos lugares bonitos por nós visitados. Sem contar no sonho realizado, até aquele momento, praticamente tudo que estava no planejado tinha sido visitado. Estava saindo do Chile com sensação de missão cumprida.
Saímos de Los Andes por volta das 08:00, estava um pouco frio, mas o tempo estava bastante limpo, mas o frio pegava forte. Começamos a andar pela Ruta 62 novamente, e logo a frente, fizemos uma parada para fotos. Um pouco atrás de nós, parou um motociclista com uma Harley Davidson, estava só. Falou com o Alencar e disse como era bom encontrar brasileiros, seu sotaque, não escondia suas origens. Era mineiro. Conversou com o Alencar e lhe deu um adesivo, quando o Alencar me deu o adesivo, logo reconheci de quem se tratava. Perguntei à ele: Você por acaso é o escritor do livro "Caminho para o céu"? E era ele, o Rômulo Provetti, motociclista e blogueiro (vale a pena visitar www.viagemdemoto.com). Eu não o conhecia pessoalmente, porém, li seu livro que relata uma viagem dele e de um amigo ao Peru, Chile, Argentina e Bolívia. O ápice do livro é quando eles visitam o Salar de Uyuni, e, devido à temporada de chuvas, o salar estava coberto de água e o céu se confundia com o chão, daí o nome do livro. Rômulo me contou que, no dia anterior ao nosso encontro, recebera a notícia que o seu companheiro havia se suicidado. Uma notícia muito triste para ele com certeza. A propósito, Rômulo voltava do Ushuaia em viagem solo. Parabéns Rômulo pela bela viagem.


Como estávamos em meio à uma grande cadeia de montanhas, o sol demorava para aparecer, dava pra ver que o céu estava bastante limpo, porém, sem sol, estava um pouco frio, continuamos andando e, logo me dei conta de onde estávamos: Os caracoles, uma grande subida com várias curvas de dar frio na barriga, são se não me engano 38 curvas. O Rômulo foi nosso guia ali, pois ele já havia passado por lá e nos sugeriu o melhor ponto para pararmos e tirar fotos. Mais um sonho realizado, sempre quis passar naquele lugar, e aquele dia estava realizando isso. Lá conhecemos um casal do Rio Grande do Sul, conversamos por um tempo e continuamos subindo.








Durante a subida, existem várias espécies de túneis, porém têm outro nome, é um tipo de túnel que é vazado de um dos lados, sua finalidade é basicamente proteger os carros das pedras que rolam das montanhas, e acredito que também a neve durante o inverno. Aquela região deve ter muita neve, pois existem várias placas indicando que com neve o uso de correntes é obrigatório. Inclusive existem empresas que alugam as correntes para os mais desavisados. Mais à frente, passamos pela aduana chilena, mas esta, é apenas para quem está entrando no Chile, nós como estávamos saindo, faríamos a imigração no lado Argentino. Nos impressionou o tamanho da fila, mais de 2 kms de carros esperando para entrar no Chile. Como já falei anteriormente, a aduana chilena é bastante rigorosa e burocrática, sem contar que por se tratar de período de férias, o povo estava todo na estrada.
Mais a frente, chegamos ao túnel Cristo Redentor, situado à 3.185 metros sobre o nível do mar. É um grande túnel, e logo depois dele se chega ao primeiro posto de controle imigratório argentino. Lá, perguntei ao soldado que me deu um pequeno papel pardo e pediu que apresentássemos na aduana mais adiante. Lá paramos numa pequena lanchonete e degustamos uns alfajores argentinos. Conversei com 3 argentinos que voltavam de São Paulo de moto.





Quando chegamos na aduana, encontramos novamente o Rômulo, que nos perguntou se tínhamos visitado o Aconcágua, e tínhamos passado direto, na minha cabeça era depois da aduana, felizmente, depois da dica do Rômulo, retornamos uns 2 kms e fomos visitar o Aconcágua. Claro, não subimos ele, seria muita pretensão, porém, há um belo parque. Fomos até ele, e seguimos até o mirante, eu desisti no meio do caminho, o Gilmar, Débora e Alencar foram além. A Sara ficou cuidando das motos.



Voltamos para aduana e a fila era igual ou maior do que no lado chileno. Lá, encontramos também os amigos Robert e Nina. Aqueles do primeiro dia de viagem, donos da simpática cachorrinha Jullyta, que anda de moto. Estavam voltando do Chile também. Na aduana, ficamos muito tempo, umas 3 horas pelo menos. De todas que passamos, essa era a maior, você entra com o veículo e faz a imigração num grande galpão. Estava esquentando e não tinha jeito, tínhamos que esperar. Eram ônibus e muitos carros. Neste meio tempo, jogamos conversa fora, falamos com argentinos e com um brasileiro mochileiro que estava a 6 meses viajando pelo Chile e Argentina.
Finalmente cruzamos a aduana e seguimos, o caminho era muito bonito, em meio à várias montanhas e com um pouco de mata pelo caminho. Paramos em Uspallata para abastecer, esta é uma cidade que acho que vale uma nova visita, parece ser muito simpática e acolhedora.


Chegamos super cedo em Mendoza, nossa parada naquele dia. Havia uma visita marcada para a vinícola Trapiche, porém, não deu tempo. Sem contar que não encontrávamos o hotel de jeito nenhum. Seria melhor não ter encontrado. Hotel Panamericano, muito ruim, não recomendo para ninguém.
Como eu tinha poucos pesos argentinos, fui atrás de câmbio, fui no centro da cidade e fiz câmbio numa galeria com uns caras meio suspeitos, saí de lá preocupado em ser assaltado, peguei um taxi e voltei para o hotel, felizmente tudo bem. Passei numa fruteira e comprei peras e maçãs argentinas, muito boas e baratas. Não entendo que tendo frutas tão boas e baratas lá, eles não servem no café da manhã.
O Robert e a Nina se hospedaram lá também, a noite eles saíram para jantar. A Sara e eu ficamos no hotel descansando.

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