quarta-feira, 8 de abril de 2015

Dia 17 - São Borja x Blumenau 870 kms

Era o grande dia da volta, chegar em casa. Muito bom viajar, mas também muito bom voltar pra casa. Eu como sou uma pessoa muito ligada a minha mãe, queria dar um abraço nela, sonho realizado, era hora de voltar para o aconchego do lar. De voltar a ver as coisas do dia a dia, voltar a vida normal. Mas isso é história pra outro post.
Saímos de São Borja antes das 08:00 ainda. A meta era parar em Ijuí para abastecer e dar um abraço no nosso amigo Paulo. Continuamos na BR-285, cheia de ondulações, era cada pancada na suspensão que dava dó, mas não tinha jeito, era o caminho que tinha. Passamos pela região de São Luiz Gonzaga, onde uns meses antes nosso amigo Márcio havia caído, compreensível. Com tantas ondulações, todo cuidado ainda era pouco.
Passamos na região das missões, onde pretendo voltar, já estive lá algumas vezes, porém, a Sara ainda não conhece. Vale a pena conhecer um pouco desta parte da história do nosso país, onde os jesuítas vieram catequizar os índios e construíram grandes templos para cumprir a sua missão. Foram atacados e alguns padres mortos, existe muita história naquela região que vale a pena ser vista, recomendo a quem estiver na região.
Paramos na cidade de Entre Ijuis para abastecer. Lá, o frentista lavava a pista com uma mangueira jogando água para todo lado, isso me deixou mal. Depois de passar tantos dias presenciando uma região árida e com escassez de água, me indigna ver as pessoas desperdiçando um bem tão precioso. Confesso que revi este conceito, hoje procuro ao máximo poupar água. Ela pode faltar pros meus descendentes.
Paramos na Volvo em Ijuí para dar um abraço no nosso amigo Paulo, do Motoclube Desbravadores do Sul, ele trabalha lá, e assim como nós, adora viajar de moto. Recentemente fora até o Peru, destino este que está nos nossos planos para o futuro. Depois de um cafezinho e um pouco de conversa, voltamos para a estrada desnivelada. Paramos em Passo Fundo para abastecer e seguimos adiante novamente.

Quase em Lagoa Vermelha, um forte barulho vindo da roda traseira me assustou. Parei para ver o que era e novamente um raio quebrado. Não que tenha quebrado na viagem, mas antes de viajarmos um deles se soltou, foi consertado antes da viagem, e no último dia voltou a dar problema. Retirei ele e seguimos adiante. Em Vacaria, uma nova parada para um lanche e mais gasolina. O objetivo seria seguir até Rio do Sul para a próxima parada.
Logo após Vacaria, vimos a placa BEM VINDOS A SANTA CATARINA. Agora sim estávamos em casa, quer dizer, quase em casa. Passamos Lages e depois de Otacílio Costa, fomos forçados a parar devido à obras na estrada. Demos uma esticada e conversamos com um casal de Ituporanga, estavam aproveitando que era feriado municipal para dar uma volta com a GS1200 deles. Eles comentaram que estão se preparando para uma viagem parecida com a nossa em breve. Desejo sorte ao casal e que façam uma grande viagem.
Em Rio Do Sul, a parada é obrigatória. Eu explico: Voltar pra casa, no final sempre gera um pouco de ansiedade, e estatisticamente os acidentes acontecem próximos ao ponto de chegada, e a BR-470 a partir dali é bastante crítica, tem trânsito difícil, portanto, uma parada para uma água é fundamental. Fizemos isso, descansamos um pouco e seguimos adiante.
E assim foi, até Blumenau, trânsito pesado, muitos caminhões, carros e imprudência, toda cautela era pouca naqueles menos de 80 quilômetros que faltavam. Ou seja, poderíamos colocar a perder 8.000 kms naquele 1% da viagem que faltava. Felizmente chegamos em paz, fomos direto na casa da mãe da Sara. Ela nos esperava ansiosa, deu um forte abraço em mim e na Sara, chorou e choramos juntos. Ela nos deu os parabéns pelo nosso casamento, nos disse que rezou diariamente para que tudo corresse bem na nossa viagem. 
Graças a Deus, tudo correu bem. Não tivemos nenhum susto, nenhum problema mecânico, tombo ou coisa parecida. Estávamos todos muito felizes. E eu principalmente, sonhei, planejei e idealizei aquela aventura. Tentei ser o mais minucioso possível nos detalhes, e por muitas vezes a sensação era de que eu já tinha estado em alguns lugares. De tantos relatos e textos que havia lido antes, tudo tinha sido perfeito, não acreditava que estava em casa depois daqueles 17 dias. Foi incrível.
Agradeço a Deus, aos meus pais, à Sara, que sempre esteve ao meu lado, me deu forças nos momentos de preocupação e aflição, me apoiou e compartilhou do meu sonho, foi uma grande garupa, sempre prestativa e ligada em tudo,
Eu estava realizado, de alma lavada, com o coração calmo e feliz, pois aquilo que sonhei tantos anos tinha se tornado realidade. E o melhor: Voltamos para casa em paz, sem nenhum problema.
Agradeço a todos os amigos que me ajudaram. A lista é grande e tenho receio de esquecer de alguém, portanto, todos que ajudaram direta e indiretamente, sintam-se parte integrante do meu sonho. Vocês me ajudaram a concretizar!!! Obrigado mesmo.
Foram 8.220 quilômetros rodados, 17 dias e mais de 20 cidades visitadas. Só tenho mesmo a agradecer, e claro, pensar na próxima!!!!

Não dá pra parar!!!! O mundo está aí fora, vamos conhecer!!!!



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